Sonangol assume a liderança da transição energética em Angola

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Ricardo Van-Deste, CEO da Unidade de Negócios de Exploração e Produção da Sonangol; Geoff Hill, Diretor da Something of Value; Osvaldo A. Inácio, Diretor Executivo da Sonangol; Paulo Guedes, Diretor de Energias Renováveis da Sonangol; Verner Ayukegba, Senior Vice President, African Energy Chamber.

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O esforço global para reduzir as emissões de carbono e eliminar os combustíveis fósseis terá impactos significativos nos países africanos dependentes de hidrocarbonetos. Países como Angola, com uma dependência do petróleo estimada em 80%, serão altamente afetados caso sejam forçados a abandonar este recurso. Assim, as partes interessadas estão a pedir que se adote uma abordagem adaptada e centrada em África para a transição energética, na qual os decisores políticos e os líderes da indústria africanos tenham uma palavra a dizer.

Durante o principal evento energético do continente, a Semana da Energia Africana 2021, a decorrer esta semana, os representantes da petrolífera nacional de Angola, Sonangol, mostraram como a empresa está a progredir no respeitante à transição energética. Geoff Hill, Diretor da Something of Value, moderou um painel composto por Osvaldo A. Inácio, Diretor Executivo da Sonangol; Ricardo Van-Deste, CEO da Unidade de Negócios de Exploração e Produção da Sonangol; e Paulo Guedes, Diretor de Energias Renováveis da Sonangol.

Centrando-se no papel do petróleo e do gás na transição energética, os conferencistas enfatizaram que as estratégias de descarbonização serão mais eficazes do que a eliminação progressiva de recursos para a redução de emissões e proteção do meio ambiente. Embora a pobreza energética em África continue a ser uma ameaça significativa e um problema que urge tratar, uma abordagem de descarbonização adaptada será significativa tanto para o país como para o todo o continente.

“Foi dito que cerca de 600 milhões de africanos não têm eletricidade e, portanto, embarcar numa transição energética centrada nas energias renováveis e noutras fontes de energia mais caras pode ser um jogo perigoso. A ideia é iniciar uma conversa acerca da descarbonização e do papel que desempenharemos nela. Isso também ajudaria, evidentemente, a reduzir as emissões de gases de efeito de estufa. Em geral, o que nós, Sonangol, temos a dizer quando falamos acerca de transição energética é o seguinte: não somos contra, pensamos que é necessário, mas sentimos que deve ser equilibrada e que, enquanto continente, temos de desempenhar um papel na definição do que a transição de energia significa para nós. No Gabão, a transição energética pode não significar a mesma coisa que na Alemanha, por exemplo. 80% do país depende do petróleo. Qual é a nossa definição de transição energética e a que ritmo queremos fazê-la? O que queremos dizer é o seguinte: estamos todos envolvidos na transição e estamos a tomar medidas muito sérias e ousadas para fazê-la acontecer, mas também podemos fazer isso ao mesmo tempo que monetizamos o vasto recurso com o qual fomos abençoados, de forma segura e limpa. É isso que para a Sonangol representa a transição energética,” afirmou Inácio.

Apesar de estar comprometida com o petróleo e gás, utilizando tecnologias de descarbonização para impulsionar a transição, Angola também expandiu os seus objetivos respeitantes às energias renováveis, com a adoção de novos programas e iniciativas que impulsionam o progresso. Importa assinalar ainda que os conferencistas forneceram informações sobre o projeto de hibridização do país, que visa expandir a utilização da energia renovável em Angola.

“A questão é de onde vem o dinheiro? Como se obtém financiamento para projetos de petróleo e gás com a transição energética? A Sonangol enfrenta os mesmos desafios que todas as outras empresas,” afirmou Van-Deste.

“Temos um projeto que estamos a tentar vender ao Governo: o projeto de hibridização. Hoje é considerado um projeto off-grid, mas no futuro estará conectado à rede. Estamos também a analisar as nossas operações internas de upstream a downstream, bem como maneiras de minimizar a utilização de combustíveis fósseis. Estamos a estudar um grande número de modelos alternativos de instalações, de modo a diminuir os custos operacionais e ajudar o meio ambiente. Temos visto postos de abastecimento movidos a energia solar, um local de venda e troca de baterias e equipamentos de carregamento. Temos alguns parques industriais que não estão conectados à rede e que constituem uma oportunidade para vender energia renovável. Estamos ainda a ponderar realizar estudos para melhorar e maximizar a indústria dos biocombustíveis e promover a utilização do hidrogénio verde em Angola,” afirmou Guedes.

Angola quer estimular a transição energética, mas pede uma abordagem adaptada. Através da exploração contínua das suas reservas de petróleo e gás, utilizando tecnologias de descarbonização, Angola pode beneficiar dos seus recursos consideráveis, aliviando a pobreza energética ao mesmo tempo que procura fontes de energia mais limpas.

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