Angola: Mitigar o Impacto da COVID-19 no Sector de Petróleo e Gás

Connect with us:

Trouvez la version anglaise ici

O Director Internacional de Conferências da Energy Capital & Power, João Gaspar Marques, falou com S.E. Diamantino Pedro Azevedo, Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás de Angola, sobre o impacto da COVID-19 no sector de petróleo e gás do país.

Quais têm sido os desenvolvimentos chave no Sector Petrolífero angolano nos últimos doze meses, dando particular peso ao estado de emergência imposto pela COVID-19?

Desde o início da pandemia o Sector de Recursos Minerais, Petróleo e Gás materializou e expandiu as suas reformas com a consolidação do papel da ANPG (Agência Nacional de Petróleo e Gás) como Concessionária Nacional e a execução do Programa de Restruturação/Regeneração da Sonangol-EP.

No âmbito específico da Estratégia de Atribuição de Concessões Petrolíferas para o Período 2019-2025, deu-se continuidade à implementação do programa de licitações, tendo sido licitados 9 blocos terrestres em 2021 referentes à licitação de 2020, sendo 6 da Bacia do Baixo Kwanza e 3 da Bacia do Baixo Congo. Por outro lado, foi recentemente aprovada a estratégia de licitação de blocos para 2021.

Ainda neste período, deu-se continuidade ao projecto de modernização e ampliação da refinaria de Luanda, que visa o aumento da produção de gasolina, reduzindo assim a sua importação. Iniciou-se a construção da Refinaria de Cabinda, foi lançado o concurso público para construção da Refinaria do Soyo e igualmente foi feito o lançamento do concurso público internacional de parceria societária para a construção da Refinaria do Lobito.

O desenvolvimento de campos marginais começa a ser um facto, e neste sentido foram já declarados e aprovados alguns campos marginais, nomeadamente o PAJ (Palas Astrea e Juno) do Bloco 31, N´singa (já em produção), Lifua, Kambala e N´dola Sul, no Bloco 0.

Consideramos, por conseguinte, que o estado de emergência imposto pela COVID-19 teve um grande impacto nas actividades operacionais, levando à suspensão das actividades de perfuração e limitações substanciais na actividade de produção em geral.

Que iniciativas tomou o Ministério para mitigar o impacto da pandemia no sector, e como avalia a eficácia dessas iniciativas até agora?

Entre as várias iniciativas tomadas em concertação com as autoridades sanitárias nacionais, a ACEPA (associação de companhias produtoras de petróleo em Angola) e AECIPA (associação de empresas prestadoras de serviços à indústria petrolífera) para mitigar os efeitos da pandemia COVID-19 destacam-se:

  • Desmobilização de pessoal não essencial;
  • Adoção da modalidade de trabalho remoto para algumas funções;
  • Estabelecimento de regimes de quarentena, isolamento social e testagem sistemática e obrigatória de todo o pessoal, isto é, antes de aceder às instalações petrolíferas quer offshore, quanto onshore.

Com o contínuo avanço de projectos de construção ou renovação de várias refinarias, de que forma é que o desenvolvimento do sector de downstream pode reduzir a dependência das importações de combustíveis de preços tão voláteis e compensar perdas nas exportações de crude?

Angola actualmente importa cerca de 80% de produtos refinados para satisfazer as suas necessidades internas, despendendo por conseguintes enormes quantidades de divisas.

A Estratégia de Refinação gizada pelo Executivo angolano inclui a melhoria dos processos operacionais e consequente aumento da produção de gasolina na refinaria de Luanda (em modernização) e a construção de três novas refinarias em Cabinda (60 000 barris por dia), Soyo (100 000 barris por dia) e Lobito (200 000 barris por dia).

Os projectos acima elencados visam atingir a autossuficiência interna em termos de produtos refinados, exportação de excedentes para os países vizinhos e manutenção e geração de empregos.

Tendo em conta a presente volatilidade no preço do petróleo, de que forma é que a COVID-19 pode facilitar a transição energética para fontes de energia alternativas e limpas, incluindo o gás natural?

Importa começar por clarificar, que as questões ligadas a transição energética são tuteladas pelo Ministério da Energia e Águas, no entanto, o nosso Departamento Ministerial tem contribuído com importantes subsídios ligados essencialmente com o hidrogénio e algumas empresa do sector petrolífero estão envolvidas na concepção de projectos de energias renováveis.

O Estado Angolano tem políticas e programas que visam a transição energética entre os quais se destacam a conversão de algumas centrais térmicas de geração de energia a diesel para gás. A título de exemplo podemos citar a Central de Ciclo Combinado do Soyo, com uma potência de 750 MW e a Central Térmica de Malembo em Cabinda. Citamos ainda a existência de um projecto de construção de uma central eléctrica fotovoltaica (50 MW) no Namibe, uma parceria entre a Sonangol-EP e a ENI.

Adicionalmente destacamos que Angola possui uma planta de LNG, na cidade do Soyo, que está em funcionamento desde 2012, e que teve como origem a necessidade de monetização dos recursos de gás natural, eliminado a sua queima nas operações petrolíferas.

Pode a COVID-19 servir como uma oportunidade para expandir o desenvolvimento do conteúdo local?

As perspectivas do sector de hidrocarbonetos no período pós pandemias (curtos e médios prazos) estão focadas em atenuar o declínio da produção de petróleo, minimizar as perdas não planeadas, optimizar e fomentar a produção de refinados para garantir a autossuficiência do país destes produtos e aumentar a capacidade de armazenagem de combustíveis e lubrificantes, garantido a cobertura da distribuição dos mesmos em todo território nacional.

Foi recentemente aprovado o Regime Jurídico do Conteúdo Local do Sector Petrolífero, que visa regular as matérias relativas à transferência de tecnologia e de conhecimento, o recrutamento e a capacitação do capital humano angolano e a aquisição de bens e serviços produzidos localmente pelas empresas que operam no sector petrolífero, enquanto ferramentas de fomento do empresariado angolano e promoção do desenvolvimento económico.

Quais são as perspectivas do Ministério de curto, médio e longo prazo para o sector dos hidrocarbonetos angolano no período pós-pandemia?

Mitigar o declínio natural da produção representa um dos maiores desafios do sector, ocupando, por isso, o topo das prioridades.

Assim, recentemente foi aprovada pelo Conselho de Ministros de Angola a Estratégia de Exploração de Hidrocarbonetos que assenta em quatro pilares, nomeadamente: a) a disponibilidade e acessibilidade às áreas que constituem as bacias sedimentares de Angola para a actividade de pesquisa e avaliação; b) a expansão do conhecimento geológico e o acesso aos recursos de petróleo e gás natural; c) o asseguramento da execução exitosa da Estratégia Geral de Atribuição de Concessões Petrolíferas em Angola; d) a intensificação da pesquisa e avaliação nas concessões e Áreas Livres das Bacias sedimentares de Angola.

Other Reads

Other Reads

João Marques

João Marques

João is an International Conference Director at ECP. He holds an Erasmus Mundus Master’s degree in international journalism with a specialism in War and Conflict. He has worked as a journalist, commentator and analyst for a multitude of international publications on issues of energy, policy and economics. He co-authored the book Big Barrels: African Oil and Gas and the Quest for Prosperity, an Amazon bestseller that received great praise from the industry and the press.

More from the Author

Sign up for latest news and event info

Copyright © 2022 Energy Capital & Power. Privacy Policy · Terms of Use